Tudo começou tão rápido e de maneira tão avassaladora que só nesse sábado é que pude parar pra digerir. Engraçado como tudo acontece, né? Em janeiro, quando percebi que esse ano faria 27 anos, deprimi. Mesmo. Isso nunca tinha acontecido... Acho que muito se deve ao fato de que quando eu tinha 11, 12 anos podia jurar que nessa idade eu já estaria casada e com 03 filhos.
Hoje sou uma mulher - sim, assumi esse título há pouco também - de contradições. Quero tudo ao mesmo tempo em que não quero nada. Sinto-me feliz mas com uma vontade quase incontrolável de chorar. Tenho concomitantes sentimentos de autoestima e de autossabotagem (essas novas regras gramaticais me matam). Posso querer morar em Brasília e mudar pra São Paulo na mesma frase. E sabe o que é pior? Sobrevivo assim.
Preocupo-me em comprar novos cremes antirrugas, protetor solar. Lembro-me de que cada descarga gasta - absurdamente - 12 litros de água e que a sacola de plástico demora 300 anos pra se decompor na natureza.
Faço peeling, massagem, dietas, musculação. Como chocolate todos os dias.
Acordo sentindo falta de alguém a meu lado, pra me esquentar os pés, mas vou dormir feliz por poder sair com 05 amigos homens sem me preocupar em dar satisfações. Transito facilmente entre a balada de sábado e o cineminha do domingo. Ouço Ingrid Michaelson e Kings of Leon, um seguido do outro. Dirijo um carro 1.0, mas faço rachas imaginários com os playboys.
Falo palavrão, mas vou à missa todo domingo.
Me cobro pelos bons livros que ainda não li, pelas músicas que ainda não ouvi, pelos lugares que não visitei, pelos amigos que deixei de lado, pelos meus avós que não vejo, pelas oportunidades que deixei passar. Acho que 24 horas é pouco. Mas tenho certeza que 8 horas de trabalho é exagero. Talvez se tivesse 30 horas, não faria nada ou quase nada do que queria. Reclamaria mais, claro. Trabalharia mais, certamente. Deixemos como está.
Dou aulas de publicidade, faço ioga, começo semana que vem o curso de Doutrina Católica e ainda esse ano quero aprender a tocar bateria.
Adoro ir ao cinema sozinha. Nada de explicar quem é Matheus Souza ou porque a Scarlet é A Scarlet. Nada de pedir que relevem o humor negro francês ou que aceitem que Watchmen é sim um bom filme. Mas não há palavras que expliquem o prazer de assistir Tomates Verdes Fritos deitada no sofá com quem é especial.
Faço scrapbooking, mas tenho preguiça de fotografar. Amo toy art, mas abomino as Blythes.
Acho que devia saber mais. Publicidade, música indie, literatura, religião, vídeo game, culinária. Queria nunca perder uma boa discussão. Mas também queria saber perder. Quanto mais sei, menos tenho paciência com os que não sabem. Seria essa a hora de parar?
Dias atrás me perguntaram
Quem se esconde por trás daqueles óculos? Chorei. Achei tudo tão lindo-estranho-curto-longo-raso-profundo que não soube responder.
Minha resposta hoje é essa.
Sou a minha verdade.